Episódio 04 - Agosto de 2025
Ahoy!
Existem muitas regatas à vela ao redor do mundo, mas a Clipper Race é única.
Há a Vendée Globe, uma famosa regata solo, sem escalas, ao redor do mundo, com os maiores e melhores velejadores do planeta. Eles enfrentam imensos desafios completamente sozinhos, sem ajuda externa.
Há também a Volvo Ocean Race, uma regata com tripulação e múltiplas etapas, onde equipes veteranas competem nos barcos mais modernos, rápidos e avançados, com orçamentos de milhões de dólares. É como a Fórmula 1 da vela.
A Clipper Race não se parece com nenhuma outra. Seus barcos não são como carros de F1, mas sim como Land Rovers — fortes, resistentes e seguros. Eles são idênticos, projetados e produzidos em conjunto, usando exatamente as mesmas velas e equipamentos. Por isso, é a tripulação — as pessoas em cada barco — que realmente faz a diferença no desempenho.
A tripulação da Clipper Race também é diferente da maioria das regatas à vela, sendo composta por amadores. Cada equipe tem apenas um Skipper profissional e um "segundo em comando". Os demais tripulantes, com diferentes níveis de experiência — alguns sem nenhuma —, são treinados para se tornarem competidores oceânicos.
Como afirma o ex-Skipper da Clipper Race, Brendan Hall, em seu livro "Espírito de Equipe", a receita para o sucesso nesta regata se resume a 80% de habilidades interpessoais e 20% de habilidades técnicas.
A Clipper Race foi pensada para pessoas de todas as idades, origens e habilidades. Mas a diversidade aqui vai muito além de uma simples mistura de gente. A organização da corrida garante que cada tripulação seja proporcionalmente diversa, distribuindo cuidadosamente idades, níveis de experiência, profissões e nacionalidades por toda a frota. Isso assegura que todas as equipes sejam competitivas e equilibradas.
A bordo, todos são treinados para desempenhar qualquer função no convés, operando como uma equipe multifuncional. No entanto, após identificar os pontos fortes de cada um, funções específicas são atribuídas para otimizar o desempenho do grupo.
Combinar pessoas de diversas habilidades e aproveitar seus pontos fortes não é suficiente. Para alcançar o melhor desempenho na Clipper Race é necessário que os times atuem com o máximo de colaboração.
Pense em uma manobra como um jibe, onde você vira o barco passando a popa pelo vento. Executar um jibe ideal requer sincronia perfeita, comunicação excelente e trabalho em equipe totalmente coordenado. Todas as ações, desde soltar os cabos até virar o barco no leme, precisam de precisão. Se uma única pessoa atrasar sua ação e movimento, tudo pode dar errado e a manobra pode precisar ser repetida, o que significa perder tempo valioso.
Em uma regata, a comunicação e o feedback são constantes. Os trimmers (que ajustam as velas) e o helm (que comanda o leme) mantêm um diálogo contínuo para obter a máxima velocidade do veleiro. O trimmer está sempre dando feedback sobre como a vela está. Essa troca constante garante que o barco esteja com seu desempenho no ponto máximo.
Embora um veleiro de oceano seja bem diferente de salas de reunião ou videochamadas de Teams, Zoom ou Meet, os segredos de uma equipe de alta performance são incrivelmente parecidos. Colaboração e confiança são tão cruciais para as empresas quanto para as tripulações da Clipper Race..
Como você cria um ambiente de colaboração e confiança? Na minha experiência, existem alguns ingredientes básicos: clareza, comunicação, alinhamento, empoderamento, e algo que vejo se tornando cada vez mais crítico: segurança psicológica.
No mar ou no escritório, as pessoas do time devem se sentir à vontade para serem elas mesmas. Equipes desempenham melhor quando todos se sentem seguros para trazer suas ideias, admitir quando erram e questionar coisas sem medo. Como líder, você tem um papel fundamental em promover a segurança psicológica: liderando pelo exemplo, sendo vulnerável, tratando os erros como oportunidades de aprendizado e estabelecendo limites e expectativas claras.
Seja competindo no mar ou navegando em um ambiente de negócios acirrado, promover a colaboração radical é um papel fundamental do líder, de forma a obter o máximo do potencial de desempenho de seu time.
Se você gostou desse episódio, compartilhe, me mande uma mensagem com comentários ou sugestões, e também confira a minha campanha de arrecadação de doações para a UNICEF, onde você pode fazer a diferença na vida de uma criança em dificuldade.
Que bons ventos estejam com você.
Breno