Executivo de Tecnologia e Digital, velejador, carioca, morando em Londres, casado com Alessandra, pai do Rodrigo e do Gustavo, praticante de tênis e rubro-negro de coração
Quem eu sou?
Deixa eu te contar um pouco como tudo começou...
Minhas aventuras na vela e na tecnologia começaram cedo, ainda garoto com uns 8 anos, e ambas foram influência da paixão do meu pai por esses dois mundos.
Meu pai é engenheiro e ex-empreendedor, filho de um capitão da Marinha Mercante, meu avô. Nós tínhamos uma casa de verão em São Pedro d’ Aldeia, um município da Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro. Nossa casa ficava a poucos passos da Lagoa de Araruama, uma área popular para esportes aquáticos como vela, windsurf e kitesurf devido aos bons ventos.
Eu aprendi a velejar em um Laser, nosso primeiro barco. Ele era rápido, divertido e fácil de usar. Me lembro bem que uma das minhas aventuras preferidas era cruzar a Lagoa de Araruama do lado da nossa casa para o lado oposto, onde ficavam as salinas. Nessas salinas o sal é extraído a partir da evaporação das águas altamente salinas da lagoa. A gente velejava até lá, pegava um pouco de sal e voltava para usar depois no nosso churrasco.
Acho que as memórias dessas travessias da Lagoa de Araruama no Laser me inspiraram a fazer a travessia do Oceano Atlântico na Clipper Race.
E a tecnologia? Computadores também entraram na minha vida cedo. Eu tinha uns 10 anos quando meu pai chegou em casa com um TK85. Era um clone brasileiro do ZX Spectrum do Reino Unido. Ele se conectava diretamente a uma TV comum, e você podia programar nele usando linguagem Assembly e BASIC. Eu aprendi BASIC e tive as primeiras experiências do que se tornaria a minha carreira profissional.
Depois do computador TK85, meu pai me deu um Apple II e, alguns anos depois, um IBM PC. Meu caminho profissional já estava claro para mim. Fui estudar Engenharia da Computação na PUC-Rio e, mais tarde, fiz um Mestrado em Design, com foco em UX. Minha dissertação usou o Second Life, o metaverso daquela época. Lembra-se do buzz recente sobre metaversos?
Minha carreira no mundo corporativo global começou na Reader's Digest, a empresa editorial e de marketing direto, que estava retomando operações no Brasil em 1996. Entrei como o quinto funcionário, um estagiário, e fiquei sete anos enquanto a empresa crescia rapidamente para mais de cem pessoas em cerca de um ano. Essa experiência de startup definiu muito das minhas raízes profissionais, ensinando-me a colocar a mão na massa, desde montar móveis e instalar tecnologia até desenvolver aplicativos de software. Foi um privilégio crescer com a empresa, e os laços que criamos como equipe permanecem até hoje.
Em seguida, entrei na indústria de bens de consumo na Kraft Foods, onde aprendi sobre a cadeia de valor desde a fabricação até a distribuição e vendas. Depois, na British American Tobacco (BAT, ou Souza Cruz na época) minha carreira se tornou internacional. Passei 15 anos lá, começando com funções locais do Brasil, em seguida passando a liderar times regionais e globais. Minha primeira expatriação nos levou para Londres em 2013 e, embora a adaptação tenha sido difícil, acabamos amando a experiência. Cheguei até a função de CTO (Chief Technology Officer) Global, liderando áreas de dados, IA, inovação digital, plataformas e arquitetura.
Em 2022, saí da BAT e fui para a Heineken, liderando Tecnologia e Digital na Europa, com uma equipe de mais de 400 pessoas em 20 países. As marcas, as pessoas e a cultura da empresa, além da estratégia ousada de transformação digital, foram os principais fatores que me atraíram.
Durante meus 20 anos de carreira nessas empresas globais, aprendi e conquistei muito: formei equipes, implementei estratégias digitais e entreguei projetos complexos. Também tive minha cota de erros e más escolhas; no geral, os altos e baixos me fizeram crescer como líder e também me ajudaram a se conhecer melhor.
Mais recentemente embarquei em uma carreira de portfólio, fazendo consultoria em estratégia de Tecnologia, Digital e IA, e advisory de startups. Isso me permitiu ter a flexibilidade de tempo necessária para me preparar e participar da Clipper Race.
Aquele menino em um Laser na Lagoa de Araruama, no Rio, ficaria surpreso sabendo que um dia estaria cruzando o Oceano Atlântico.
Independente do tamanho do seu sonho, atravessar um oceano, escalar uma montanha, abrir seu próprio negócio ou fazer uma carreira internacional, espero que este blog te inspire a perseguir, persistir e atingir suas ambições.
Que bons ventos estejam com você.
Breno